Agora é hora do caminhar.
É hora de guardar lembranças boas nas gavetas da memória e seguir.
É hora de pedir ajuda aos poetas. Um pouco de luz e sossego.
É hora de ocupar o espaço da parede com aquele vestido pendurado no prego de Drummond, que da dor, fez poesia.
É hora de enxugar lágrimas e entender que a vida é assim. Ela chega de surpresa para nos fazer chorar, sorrir, e nos cala diante da sua efêmera grandeza.
Agora é hora do adeus. Do caminhar sem olhar para trás e achar que tudo valeu a pena. Para o que não valeu, deixamos o esquecimento.
Agora é hora de encontrar o grande abismo, o mais alto, e perto das nuvens de algodão.
De lá, criar asas e aprender a voar, voar, e tocar o azul mais puro. Aquele, do céu.
Para caminhar é preciso ter coragem.