domingo, 11 de abril de 2010

Ansiedade Feminina*

Várias doses de Martini.
Muito calor, mais um banho.
Nua, com o ar condicionado ligado.
Música alta (Cole Porter). Só dois cigarros de canela. Que bom!
Camarões. Muito bons.
Penso em meu pai. Ele é TUDO!
Acho que vou tomar mais um Martini e ouvir todos os CDs que gosto.
Saudades do meu amigo Jorge. Liguei. Não atende. Deve estar num bar barulhento, numa boate ou transando com o namorado. Jorge consegue ser feliz. Os homens também.
Os síndicos são muito felizes. Mas eles não existem. Eles “estão” e depois passa.
Cadê meu microchip?
Deve estar jogando charme ou agarrando uma “burguesinha”. Daquelas que passam pancake, muita sombra, e parece que têm os poros obstruídos, pois não suam nunca!
Mesmo depois de pensar tudo isso, sinto saudades do meu síndico. Minha cama é enorme.
Dormir sozinha é bom, mas é melhor dormir com ele. Gosto quando passa o braço por cima de mim de manhã e faz “conchinha”. Adoro!
Mais um Martini? Tá, só mais um.
Não estou mais conseguindo programar o som. Mau sinal...já estou trocando as letras também. E escrevendo um pouco torto. Bobagem! Amanhã dou um mergulho e a água do mar leva tudo.
Será que vou ficar de ressaca? Acho que vou ligar pro Jorge...não atendeu novamente. Garanto que está brigando porque o namorado não quer que ele atenda os números de Recife. Ciúmes!
Acho que vou à Brasília na Semana Santa. Só pra estressar essa “bi” ciumenta!
Mais um cigarro de canela. O último!
Mensagem de celular para o meu síndico, que não vai ler porque está beijando aquela mulher, a do pancake. Vai fazer aquela cara séria e desligar o telefone! Que ódio!
Acho que vou escrever um livro. Já comecei, mas tenho que terminar. O Martini já está ficando ruim...
“Pára de escrever, égua!” – o Jorge ia dizer, se estivesse aqui!
Amanhã vou à praia. Mesmo ‘“sujeita a pancadas de chuvas esparsas”. Meu síndico me fez entender que realmente todas as previsões do tempo são iguais. E quando as chuvas são “esparsas”, o sol é muito forte e o céu, muito azul! ...vou comer a cereja e deixar o resto do Martini.
O Bruno deve estar enlouquecendo na formatura. Já deve ter tirado o smoking e está dançando em cima das mesas. Vou saber de tudo na segunda. Ele vai me contar e vamos rir horrores!
Cigarro de canela enjoa. Se fosse de chocolate já teria comido! Lembrei daqueles chocolates em formato de cigarro que a gente comia quando éramos pequenos. Era tão bom!
Cheguei à conclusão que os cigarros de canela são péssimos. Devem ser legais pra parar de fumar.
Última cereja da noite. Pronto e ponto! Vou comer um chocolate. Estou carente.(Cassia Miranda)

*24/02/2002 (já é dia seguinte)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A vida é uma festa!

Festas. No Brasil são muitas. Muitas mesmo. Além das que não contam no calendário, existem as oficiais: Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, São João, Dia das Crianças, dos Pais, da Avó, Natal, Réveillon... ufa! (desculpem-me se esqueci alguma delas, pois são tantas, que meu arquivo já não comporta). Enfim, as festas geralmente são para reunir a família e fazer – em um dia – o que não se fez em uma vida: interagir com felicidade plena. Na verdade estou falando de mim, que sou ranzinza de nascença. Porém quando escrevemos sobre nós mesmos, sempre corremos o risco de ser o espelho de algum leitor desprevenido ou ranzinza desavisado.
O que quero dizer é que essa eterna festa me cansa muito. Não tenho humor para isso. Acho que perdi o ritmo. Nem tanto assunto para partilhar sem que – mesmo sem propósito – ocorra uma ácida ironia. Aí se faz o silêncio de um segundo, profundo segundo, que faz de mim a pessoa mais deplorável da reunião familiar.
Aliás, ainda não entendi o motivo de ser tão convidada. Eu não me convidaria. Não consigo ser agradável nesses festejos. Sinto-me fora do contexto. Observo cada palavra trocada ou não dita. E quer saber? É melhor não me perguntar...porque eu vou responder!
Já houve tempo em que essas festinhas me eram mais prazerosas. Mas sempre senti uma tensão iminente no ar. Fazer o quê, se meus olhos enxergam o lado A das pessoas, enquanto elas se esforçam para demonstrar sempre o lado B (o da falsa felicidade, da hipocrisia, da eterna alegria).
Às vezes me pergunto: será que só eu sou chata? Será que é verdade que TODAS as pessoas ao meu redor são felizes? Será que NINGUÉM além de mim traz tristezas profundas no coração? Será que o único fundo do poço abissal é o meu? Será que só eu não sei fingir?
Sabe de uma coisa? Resolvi não entrar nesse mérito. Ia ter que falar sozinha, por isso eu escrevo! Mas vou ter que dar um jeito nesse meu ângulo de visão da vida para poder conviver com as festinhas. Na verdade, existem muitos caminhos: ou param de me convidar (eu juro que não vou ficar sentida), ou faço parte da festa no modo “corpo presente”, ou vou como expectadora (rezando pra ninguém me perguntar nada), ou melhor, na próxima festa vou amordaçada! (Cassia Miranda)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Malhação

Check up do ano passado, janeiro de 2009.Depois de descobrir que meus ossos estão fracos, mas ainda não cheguei à Osteoporose, recebi o seguinte conselho da minha médica querida: “vá malhar para ganhar massa óssea”. Naquele instante meu mundo caiu. Já fiz muita malhação, mas quando eu era uma gata de vinte anos! Fazia duas, três aulas de aeróbica por dia e ainda enfrentava a musculação. Tinha 16% de gordura corporal, já imaginou? E eu me achava gorda, uma baleia! Como nossos jovens olhos são míopes! Como uma pessoa com 45 kg e um filho de um ou dois anos pode ser gorda?!
Mas vamos voltar aos dias atuais...
Um ano se passou e eu, finalmente, em pleno 2010, recebi um telefonema de uma grande amiga e companheira, Luce Pereira. Jornalista e escritora das melhores que conheço, por coincidência, disse que precisava conhecer uma boa academia, pois estava com os mesmos problemas que eu, além de carregar uns pesinhos a mais pela despedida do fumo.
“Que alegria”, pensei. Não vou passar pela tortura sozinha e ainda vamos encontrar pessoas conhecidas na academia e outras que nem queremos conhecer! Mas vá lá.
Numa manhã ensolarada (eca!) fomos já prontas para a primeira aula. Depois de toda a burocracia, que nos levou a manhã inteira, descobrimos que não teríamos mais tempo para malhar. Resultado: corremos para a delicatessen mais legal do bairro e fomos tomar “café da manhã” (todo diet, com queijo branco, suco natural, café e tédio), afinal tudo que é bom engorda!
No dia seguinte estávamos lá. Lindas, completamente trabalhadas na roupinha de malhar e com a coragem de dois bichos preguiça. Mas até que atuamos bem.
O problema agora é a gente conciliar nossas agendas e continuar firmes e fortes. Luce, minha querida, fique tranqüila. Vamos malhar até criarmos a bendita massa óssea.
Ah! E tem que tomar sol também! Esse, só na próxima encarnação. Não suporto os raios do astro rei. Só de pensar, já sinto um calor infernal. Nasci no país errado. Eu deveria estar no Canadá.
Ainda não deu para eu fazer amizades na academia (o contrário de Luce, que é super simpática). Mas vou passar a prestar atenção nas conversas (filho-babá-carro novo- marido chato-compras-blá,blá,blá), pra ver se eu quebro esse muro que existe entre eu e as malhadeiras de plantão. Eu juro que conto pra vocês!
Agora dá licença que vou pra academia! Vamos Luce? (Cassia Miranda)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

No meio da mão e entre os dedos

Vou re-ensinar a importância que dou aos nossos corações. Com esse órgão não se brinca porque ele pode morrer e matar a gente. Tudo faz doer, pois Deus lhe deu muita responsabilidade. Além de bater para nos manter vivos, foi ele o órgão escolhido numa “convenção mundial” como o símbolo do amor. E isso é muito importante e tem um peso imenso diante da vida e do amor romântico.
Já passou tanto tempo e você ainda não aprendeu/entendeu o que é me amar. Não é isso que você conhece. Não é tão difícil como você imagina nem tão fácil como você pensa. Eu gosto dos pensamentos eróticos no meio de uma conversa séria ou no meio de um trabalho. Pra descontrair e esquentar! Mas só eu conheço o que penso. Essa é a graça de olhar os outros.
Gosto dos beijos demorados e profundos, daqueles que parece um exame de garganta, mas que na realidade é só vontade de entrar no outro.
É muito bom quando o olho no olho confirma a pele na pele. Combustão. Paixão vulcânica. Desejo avassalador. Pressa. De ser feliz, de gargalhar, de misturar eu e o outro. De virar “apenas” e não “também”.
Sorrir do nada, achar tudo leve, inclusive a vida, mas com aquela pitada de ansiedade para se encontrar com a alma gêmea que estava até então, vagando, perdida. Onde estava você, meu amor? Ou onde estava eu, esse tempo todo?
A gente só não pode mais se perder. Mesmo que um de nós morra, a idéia é esperar o outro. Lembra que eu lhe ensinei? Aprenda a segurar meu coração no meio da mão e entre os dedos.
Não perca meu coração de você e eu juro não perder o seu.
Mas ainda falta muito. Temos muito que fazer. Muitas alegrias para viver juntos, muitos beijos profundos, muitos abraços apertados, muito orgulho pra sentir do outro, muita vida pra viver.
Mas presta atenção. Meu coração é muito frágil e aprendi a chorar quando – mesmo sem querer – deixam que ele caia, ou fique sozinho, ou sofra de saudade.
Portanto, só pegue meu coração se for para segurar no meio da mão com força e entre os dedos.(Cassia Miranda)