quarta-feira, 12 de maio de 2010
Reencontro
Tome seu fôlego que eu vou respirar. Aquela febre que eu senti não foi em vão. Onde estava naquele momento? Agora começo a compreender meus sentimentos confusos, minha busca incessante por algum sentido que não chegava à minha vida. E agora o vejo tão claro.
Por que nossa intimidade se perdeu? Quando foi que optamos por diferentes direções? Há quantas vidas nos procurávamos? Não temos tempo a perder com respostas. É urgente o nosso reencontro! Meu desejo é tão pulsante quanto o seu! E temos pressa. E temos sede.
Precisamos nos tocar, nos sentir, nos reconhecer. Para que todo e qualquer ressentimento seja esquecido e perdoado.
Superemos aquela antiga dor. Que ela se transforme em prazer e sorrisos. Em manhãs ensolaradas e noites de lua cheia. Que nosso amor tenha o barulho das ondas do mar: tranqüilo e constante, revolto e calmaria. Que sua respiração ofegante, seu suor caído da sua testa no meu peito, seus gemidos, fiquem impregnados em minha alma, para eu nunca esquecer de te reconhecer. Quero seu abraço seguro e firme, sua força, seu carinho, mas quero também sua fragilidade, sua doçura e sua insegurança.
Você estava no meu caminho ou eu estava no seu? Aonde essa estrada nos levará? Não questione, não questione o universo. As respostas já as tem. Você sempre soube de mim. Tanto que me reconheceu no meio de tanta gente!
Não fique triste, meu menino bonito. Estou sempre com você, a lhe velar. Sou dona do seu desejo, domadora dos seus medos. Seu porto seguro de amor. Não vá embora. Não agora. Fique comigo. Quero seu carinho. Preciso tanto me lembrar... (Cassia Miranda)
*Texto encontrado dentro de um dos meus milhões de blocos. Foi escrito em Maracaípe, na casa do João, no dia 23/09/2007. Falava da nossa relação, do nosso amor tão grande. Parecia prever alguma coisa à frente ou foi obra do 'acaso'? Preciso dizer que o João nunca o leu.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Gavetas da alma
Gavetas da alma
É, está na hora de arrumar as gavetas. As gavetas que não foram bem fechadas, as que – propositalmente – deixamos entreabertas, as que estão bagunçadas por
dentro, as mal tratadas por fora.
É hora de arrumar. Tirar de dentro delas todas as lembranças indesejáveis, as tristes e também as que gostaríamos que ainda estivessem lá. Não é fácil arrumar as gavetas da alma. Causa sofrimento e dor.
Por que existem pessoas assim? De onde vem esse desconforto de existir?
A maioria dos meus dias é assim. Nada me alegra e eu sinto que preciso gargalhar! Preciso enxergar alguma coisa boa na vida, que me faça continuar respirando. Existe tanta magia na vida e eu não consigo enxergar as mágicas que ela faz pra mim.
Preciso arrumar as gavetas da alma e colocar cada coisa em seu lugar. Encontrar um jeito de sentir vontade de chorar e colocar pra fora todos os fantasmas, as culpas, as dores. Por favor, alguém junte meus pedaços!
Não quero mais ficar aqui. Quero ver o mundo através de outro ângulo. O mais longe que puder. O que vou fazer numa cidade como essa?
Recife está desconectada do mundo. Eu vou, mas não sem antes me despedir. De tudo, de todos (inclusive daqueles que desligam seus telefones), de cada pedacinho do Recife, a cidade que eu amo.
Alguns dizem que a solidão vai comigo. Pode ser! Mas as tristes lembranças vão junto com as boas e isso dá certo equilíbrio nessa bagagem. Eu só não quero estar perto, transitar pelos lugares e pessoas que me trazem essas tristes lembranças. Sinto que preciso respirar. Quem sabe eu não aprenda a andar sob o sol sem achar tão incômodo? Quem sabe, finalmente, eu não encontre o lugar perfeito pra mim? Aquele que tem sol e vento frio?!
Não quero mais estar perto das pessoas que ainda vou perder. Não quero mais sentir saudade. Quero todos na lembrança. As risadas, as discussões inflamadas, os choros contidos, a sensação de liberdade que nunca senti, o mais puro e verdadeiro amor dos meus filhotes peludos, o mais verdadeiro amor do meu filho, e quero levar também o seu silêncio. Esse silêncio que grita e do qual eu nunca vou esquecer.
Nessas gavetas irão saudades que não são descartáveis. Saudades que quero, um dia, entender que não serão eternas. Meu pai, João, minha irmã, são tantas saudades que gostaria de reencontrar.
Vou arrumar as malas. Devagar, pois tenho tempo. Quero aprender a sorrir e a chorar. O tempo desgasta e me fez esquecer tantas coisas. Acho que descobri meu maior inimigo. Ou melhor, eu já sabia, mas só agora consegui admitir.
E, parafraseando meu amigo Rubão, que por sua vez, parafraseou o Alceu, “a solidão é fera, solidão devora”.
Vida, me faça achar graça em você!
5 Comentários até agora »
Todo dia é dia de recomeçar e escrever mais um capítulo da nossa história (com H mesmo) e ratificar que não estamos aqui por acaso e tudo que nos acontece, embora algumas coisas tristes, são importantes no enredo e servem como aprendizado para nos tornarmos pessoas melhores do que fomos ontem. Gosto dessa frase: sou braileiro (a) e não desisto nunca!.Beijos
Olha Cassita, o seu texto é lindo apesar de ser triste. Mas senti cada palavra, cada frase. Há muito tempo que me sinto assim, pergunto a cada dia, onde está a minha alegria, onde ficou presa? Conquistei muita coisa que queria, o meu amor, o meu filho, a estabilidade financeira, mas a minha alegria ficou presa em algum lugar, em algum momento ela foi embora para bem longe de mim, por isso apesar do sol, apesar das cores, vejo tudo muito cinza, o que dava prazer ficou insípido. Não sinto vontade de ir para outros lugares, penso que tenho que descobrir aqui mesmo onde foi parar minha alegria. Mas cada um deve ir atrás de sua felicidade, de sua alegria, do seu prazer de viver, mesmo que seja a milhas e milhas daqui (parafraseando o cantor). Vou ficar feliz quando voce encontrar as cores e a alegria, só vai me dar certeza que cedo ou tarde encontrarei a minha. Beijos
Ás vezes precisamos compartilhar nossos sentimentos para que não sufoquemos,porém,é preciso buscar lá no fundo da alma pequenas coisas que nos fazem bem e,pelo fato de não darmos valor elas se tornam invisíveis.Como boa observadora que é,encontre essas pequenas coisas ao seu redor e com certeza irá te fazer um bem danado.Tenho aprendido que nem sempre sabemos o que é o melhor para nós mesmos,ás vezes,é preciso alguém chegar e dar uma chacoalhada e dizer: ei garota não é por aí…acorda!Só aí é que nos damos conta que realmente o caminho não era aquele que considerava o melhor.Gostaria muito de poder tirar a tristeza do coração de todas as pessoas que eu adoro(queria fazer isso por você!)Que Deus te ajude,peça forças a ele,poisé a única energia capaz de nos por em pé.
Um grande abraço,Jeanne.
Há fases na vida em que a gente se sente assim. As suas perdas começaram cedo, bem sei, mas acredite que ganhar e perder faz parte da vida. E vc ganhou muito dessas pessoas que passaram pela sua vida e se foram. A saudade dói, mas pense no que vc ganhou c/ elas e que hoje isso lhe enriquece tanto ao ponto de vc escrever tão lindamente sobre o assunto. Arrume as gavetas e veja o que elas contem de bom.
Para João (Dor)
Para João (Dor)
Hoje = 3 meses sem você = vazio = silêncio = saudade = dor.
“A dor faz parte do crescimento. Sempre que algo doer, é porque algo dentro de você está sendo reprimido.
Em vez de tentar evitar a dor, vá em sua direção. Deixe que doa ferozmente. Deixe que doa completamente, para que a ferida seja totalmente aberta.
Uma vez que esteja totalmente aberta, a ferida começará a se curar. Se evitar esses espaços nos quais sente dor, eles permanecerão dentro de você e você irá reencontrá-los várias vezes”.
(Osho, em “Osho de A a Z - Um Dicionário Espiritual do Aqui e Agora”)
9 Comentários até agora »
Essa doeu fundo…
Reforço forte para o meu anjo da guarda. Agora tenho a blindagem mais poderosa. Nada penetra. Força aí, João, meu irmão!
Hoje eu sou capaz de entender o sentimento de Clodovil em relação à sua falecida mãe, como sou capaz de entender a dor da perda de um ser amado, que você e Lucas sentem em relação ao João. É uma dor tão grande… porque a dor é na alma. Nem sempre a gente pode fazer o que Osho diz: seria difícil todos entenderem esse “deixar que doa ferozmente. Deixar que doa completamente, para que a ferida seja totalmente aberta”.
Todas as perdas são dolorosas. Mesmo as perdas em vida doem muito.
Da morte pior ainda porque estas são definitivas.
Há 2 frases da poeta Celina Holanda que bem traduzem o sentimento da perda e da dor:
“Não se morre ante aqueles que nos querem vivos” e “De manhã até a noite Eu tenho onde estás e assim nada me foi tirado”
Cassia
“Quando amar significa sofrer, estamos amando demais”, Robin Norwod
Procure um Grupo MADA em sua cidade. Comigo me fez muito bem.
Um abraço
Deborah
Deborah, obrigada pela sua colaboração, mas meu sofrimento faz parte do luto. O João faleceu há apenas três meses e é impossível se viver normalmente, como se nada tivesse acontecido. Amar nunca foi sofrimento para nós. Ao contrário, vivemos muitas alegrias juntos.
Não se preocupe, ainda não cheguei a esse estágio de patologia. E amar demais não é errado. Só quando a pessoa começa a invadir e sufocar o outro, o que não foi, jamais, nosso caso.
Obrigada, mesmo assim!
Taí o problema da publicidade. Vem quem quer, fala o que quer… tem como apagar não?
“Put faith”. Pense numa cerebral wash.

Faço minhas ALGUMAS de suas palavras. Só digo que, baseada em experiência própria, A SOLIDÃO SÓ EXISTE PARA QUEM NÃO SE SENTE BEM EM SUA PRÓPRIA COMPANHIA. Creio que este não é o seu caso. Pelo visto o seu caso é SAUDADE de pessoas que não voltam mais. Deixe-as livres para que vc possa sentir leveza. Isto não é fácil, mas parece ser o caminho!