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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A vida é uma festa!

Festas. No Brasil são muitas. Muitas mesmo. Além das que não contam no calendário, existem as oficiais: Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, São João, Dia das Crianças, dos Pais, da Avó, Natal, Réveillon... ufa! (desculpem-me se esqueci alguma delas, pois são tantas, que meu arquivo já não comporta). Enfim, as festas geralmente são para reunir a família e fazer – em um dia – o que não se fez em uma vida: interagir com felicidade plena. Na verdade estou falando de mim, que sou ranzinza de nascença. Porém quando escrevemos sobre nós mesmos, sempre corremos o risco de ser o espelho de algum leitor desprevenido ou ranzinza desavisado.
O que quero dizer é que essa eterna festa me cansa muito. Não tenho humor para isso. Acho que perdi o ritmo. Nem tanto assunto para partilhar sem que – mesmo sem propósito – ocorra uma ácida ironia. Aí se faz o silêncio de um segundo, profundo segundo, que faz de mim a pessoa mais deplorável da reunião familiar.
Aliás, ainda não entendi o motivo de ser tão convidada. Eu não me convidaria. Não consigo ser agradável nesses festejos. Sinto-me fora do contexto. Observo cada palavra trocada ou não dita. E quer saber? É melhor não me perguntar...porque eu vou responder!
Já houve tempo em que essas festinhas me eram mais prazerosas. Mas sempre senti uma tensão iminente no ar. Fazer o quê, se meus olhos enxergam o lado A das pessoas, enquanto elas se esforçam para demonstrar sempre o lado B (o da falsa felicidade, da hipocrisia, da eterna alegria).
Às vezes me pergunto: será que só eu sou chata? Será que é verdade que TODAS as pessoas ao meu redor são felizes? Será que NINGUÉM além de mim traz tristezas profundas no coração? Será que o único fundo do poço abissal é o meu? Será que só eu não sei fingir?
Sabe de uma coisa? Resolvi não entrar nesse mérito. Ia ter que falar sozinha, por isso eu escrevo! Mas vou ter que dar um jeito nesse meu ângulo de visão da vida para poder conviver com as festinhas. Na verdade, existem muitos caminhos: ou param de me convidar (eu juro que não vou ficar sentida), ou faço parte da festa no modo “corpo presente”, ou vou como expectadora (rezando pra ninguém me perguntar nada), ou melhor, na próxima festa vou amordaçada! (Cassia Miranda)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

2009 já vai tarde!

A riqueza de uma pessoa está nos tesouros simples. Mas nem todos têm olhos para vê-los. Sempre quis encontrar pessoas ricas desse tipo de tesouro. E encontrei.
Alguns foram embora cedo, porque Deus ou qualquer outra força superior e independente dos nossos desejos os chamou. Eles devem estar muito ocupados agora, iluminando nossas vidas. Outros estão por aqui, mas a vida se encarrega de nos separar por motivos vários. Mesmo assim eles são parte da nossa riqueza.
Ando um pouco calada, observando a vida. Olho com atenção cada detalhe, para não esquecer o que vi aqui quando não estiver mais participando pessoalmente das rodas, das conversas. Ultimamente tenho andado distante mesmo. Tenho precisado olhar pra dentro de mim e tentar voltar ao leme desse barco desgovernado.
Hoje vou me despedir e fazer uma aposta. Despeço-me de 2009. Foi um dos piores anos de toda a minha vida. Perdi muita gente, perdi muita coisa. Perdi dois amores. Minha casa (meu corpo) se desarrumou, taxas se alteraram, senti dor nos ossos, senti dor na cabeça, senti dor na alma (que ainda dói, um pouco menos agora). Eu me despeço deste ano sem um pingo de saudade. Na balança da vida, as coisas ruins suplantaram as boas. E mais uma vez se confirmou a minha cisma com os anos ímpares. Eles nunca são muito legais pra mim.
Agora quero fazer uma aposta. Quero apostar na mudança. De conceitos, de pensamentos, de foco. Quero e vou – pela última vez – dar uma chance à vida e ver o que ela me reserva. Vou voltar pra junto do Deus que acredito, pros amigos que amo (e são muitos), pras pessoas que me dão aconchego. Vou curtir mais minha família, minha mãe, que é um ser de luz, minha tia Socorro, que é tão parecida comigo e da qual eu tenho tanto orgulho, do meu filho maravilhoso, que é meu alicerce e meu porto seguro, enfim, vou tentar sorrir pra vida. E espero do fundo do meu coração, que 2010 sorria pra mim.
E pra finalizar, agradeço a todos aqueles que tiveram paciência comigo, pois sei que não é nada fácil encarar meu humor naturalmente, quanto mais com a alma atormentada. Obrigada Lucas, por me entender e me respeitar com seu silêncio preocupado, minha mãe maravilhosa, paciente e carinhosa, tia Socorro, tia Ana, tia Iria, Ângela, tio Poly, Carmen, Alexandre, Arthur, Flavia, minha irmã querida, que mesmo de muito longe se preocupou tanto, Bruno, meu sobrinho, Daniel, meu parceiro, Suely, minha irmã de alma e que tanto me ajudou com suas orações e conselhos, Rosa, minha sócia querida, Xande, meu amigão, Verinha Rocha, minha amigona que me apóia tanto com suas palavras, Codnome Beija-flor (ela sabe de quem estou falando), que tentou tanto me visitar (mas ela vem hoje, de presente de “Natal”), meu Beagle, enfim, todos os que amo e amarei sempre. Obrigada! (Cassia Miranda)