sexta-feira, 14 de maio de 2010
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE QUALIDADE DE VIDA CHEGA A PERNAMBUCO
Na vida moderna, mal temos tempo para pensar em qualidade de vida. São muitas atribuições profissionais, a pressa, o rush do trânsito, levar e buscar filho nas escolas e aulas extracurriculares, como balé, judô, natação, Inglês, entre tantas outras atividades. Administrar trabalho e casa é não fácil, muito menos prazeroso. A maioria das pessoas diz que 24h é pouco tempo para as atividades que desenvolvem durante todo o dia.
Além disso, a grande maioria das famílias brasileiras não tem condições de proporcionar lazer a elas próprias, o que torna o final de semana um “tempo extra” para colocar em dia o trabalho atrasado, assistir às novelas que perdeu durante a semana, ou ficar, mais uma vez, em frente ao computador, procurando uma maneira de se divertir.
Porém, qualidade de vida engloba muitas questões, que muitas vezes fazemos tão automaticamente, que nem notamos se as desenvolvemos com qualidade ou não. Ter tempo para tomar um bom café da manhã, tomar menos de quatro cafezinhos durante o dia, menos que cinco doses de bebida alcoólica durante a semana, praticar atividades físicas com freqüência, ter a consciência de se proteger do sol forte, usando um bloqueador solar, ter um tempo do dia só seu para relaxar, meditar, ou apenas descansar, viver em harmonia familiar, ter um olhar positivo para o mundo, manter um bom relacionamento com a equipe de trabalho, saber se impor profissionalmente, saber valorizar seu trabalho, saber trabalhar em equipe, essas são apenas umas das inúmeras atitudes diante da vida, que dirão, se temos ou não, a tão desejada qualidade de vida.
Pensando em todas essas questões, em 1995, em São Paulo, foi criada a Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Entidade sem fins lucrativos, a Associação depende da contribuição de seus associados e empresas mantenedoras para realizar suas atividades, tendo como compromisso, melhorar a vida das pessoas, particularmente a qualidade de vida no trabalho.
Tem como visão ser uma entidade de vanguarda em assuntos referentes à Qualidade de Vida. Entre seus objetivos estão: promover a integração e desenvolvimento de profissionais multidisciplinares, influenciar processos de transformações sócias e organizacionais em qualidade de vida, divulgar informações de diferentes naturezas, mostrando tendências, novidades, novos conceitos e prática de mercado, além de premiar organizações que se destaquem na área de qualidade de vida.
A expansão da ABQV se dá pela formação de núcleos estaduais, pretendendo que se multiplique por todos os estados do país. O processo é simples: profissionais são convidados para formar Comitês de Implantação. O trabalho começa sem uma diretoria local formal. Em lugar disso, atuam os membros do comitê. À medida que a adesão local cresce, esse núcleo passa a ter mais formalização e cargos. É quando o núcleo se candidata a ser uma representante da entidade. Está acontecendo assim no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Pernambuco é o terceiro estado a entrar na era da qualidade de vida, coisa tão pouco explorada e quase desconhecida para os pernambucanos.
Para comandar o processo em Pernambuco, foram convidados para membros de implantação do Comitê, o consultor e professor de gestão da saúde e qualidade de vida no trabalho, Paulo Erlich e a gerente da Divisão de Saúde e bem-estar da Chesf, Heloísa Nóbrega. Para o líder do comitê pernambucano, Paulo Erlich, “Um preceito fundamental que queremos passar para as empresas é que elas devem considerar a saúde dos empregados com um ativo em que elas precisam investir, para atingir mais facilmente seus objetivos. Melhorar o nível de saúde da força de trabalho resulta, falando apenas de alguns aspectos objetivos, em menor absenteísmo por doença, menor presenteismo (funcionários presentes, mas não produtivos, em função de problema físico ou mental) e menores custos de assistência médica. Isso se reflete na produtividade da empresa e, afinal de contas, em seus resultados financeiros.” (Cassia Miranda)
SERVIÇO:
QUE: LANÇAMENTO DA ABQV-PE
QUANDO: TERÇA-FEIRA, 25 DE MAIO
ONDE: AUDITÓRIO DA LIVRARIA CULTURA DO PAÇO ALFÂNDEGA
QUE HORAS:19h
CONTATOS:
SÂMIA SIMURRO – VP de Projetos e responsável pela expansão da ABQV
Fones: (11) 72064476 / 32845337
E-mail: samia@ser-psi.com.br
PAULO ERLICH – Consultor e professor de Gestão da Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho
Fones: (81) 9994.3306 / 3268.6465
E-mail: perlich@luminaonline.com.br
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
No meio da mão e entre os dedos
Já passou tanto tempo e você ainda não aprendeu/entendeu o que é me amar. Não é isso que você conhece. Não é tão difícil como você imagina nem tão fácil como você pensa. Eu gosto dos pensamentos eróticos no meio de uma conversa séria ou no meio de um trabalho. Pra descontrair e esquentar! Mas só eu conheço o que penso. Essa é a graça de olhar os outros.
Gosto dos beijos demorados e profundos, daqueles que parece um exame de garganta, mas que na realidade é só vontade de entrar no outro.
É muito bom quando o olho no olho confirma a pele na pele. Combustão. Paixão vulcânica. Desejo avassalador. Pressa. De ser feliz, de gargalhar, de misturar eu e o outro. De virar “apenas” e não “também”.
Sorrir do nada, achar tudo leve, inclusive a vida, mas com aquela pitada de ansiedade para se encontrar com a alma gêmea que estava até então, vagando, perdida. Onde estava você, meu amor? Ou onde estava eu, esse tempo todo?
A gente só não pode mais se perder. Mesmo que um de nós morra, a idéia é esperar o outro. Lembra que eu lhe ensinei? Aprenda a segurar meu coração no meio da mão e entre os dedos.
Não perca meu coração de você e eu juro não perder o seu.
Mas ainda falta muito. Temos muito que fazer. Muitas alegrias para viver juntos, muitos beijos profundos, muitos abraços apertados, muito orgulho pra sentir do outro, muita vida pra viver.
Mas presta atenção. Meu coração é muito frágil e aprendi a chorar quando – mesmo sem querer – deixam que ele caia, ou fique sozinho, ou sofra de saudade.
Portanto, só pegue meu coração se for para segurar no meio da mão com força e entre os dedos.(Cassia Miranda)
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Gavetas da alma
Gavetas da alma
É, está na hora de arrumar as gavetas. As gavetas que não foram bem fechadas, as que – propositalmente – deixamos entreabertas, as que estão bagunçadas por
dentro, as mal tratadas por fora.
É hora de arrumar. Tirar de dentro delas todas as lembranças indesejáveis, as tristes e também as que gostaríamos que ainda estivessem lá. Não é fácil arrumar as gavetas da alma. Causa sofrimento e dor.
Por que existem pessoas assim? De onde vem esse desconforto de existir?
A maioria dos meus dias é assim. Nada me alegra e eu sinto que preciso gargalhar! Preciso enxergar alguma coisa boa na vida, que me faça continuar respirando. Existe tanta magia na vida e eu não consigo enxergar as mágicas que ela faz pra mim.
Preciso arrumar as gavetas da alma e colocar cada coisa em seu lugar. Encontrar um jeito de sentir vontade de chorar e colocar pra fora todos os fantasmas, as culpas, as dores. Por favor, alguém junte meus pedaços!
Não quero mais ficar aqui. Quero ver o mundo através de outro ângulo. O mais longe que puder. O que vou fazer numa cidade como essa?
Recife está desconectada do mundo. Eu vou, mas não sem antes me despedir. De tudo, de todos (inclusive daqueles que desligam seus telefones), de cada pedacinho do Recife, a cidade que eu amo.
Alguns dizem que a solidão vai comigo. Pode ser! Mas as tristes lembranças vão junto com as boas e isso dá certo equilíbrio nessa bagagem. Eu só não quero estar perto, transitar pelos lugares e pessoas que me trazem essas tristes lembranças. Sinto que preciso respirar. Quem sabe eu não aprenda a andar sob o sol sem achar tão incômodo? Quem sabe, finalmente, eu não encontre o lugar perfeito pra mim? Aquele que tem sol e vento frio?!
Não quero mais estar perto das pessoas que ainda vou perder. Não quero mais sentir saudade. Quero todos na lembrança. As risadas, as discussões inflamadas, os choros contidos, a sensação de liberdade que nunca senti, o mais puro e verdadeiro amor dos meus filhotes peludos, o mais verdadeiro amor do meu filho, e quero levar também o seu silêncio. Esse silêncio que grita e do qual eu nunca vou esquecer.
Nessas gavetas irão saudades que não são descartáveis. Saudades que quero, um dia, entender que não serão eternas. Meu pai, João, minha irmã, são tantas saudades que gostaria de reencontrar.
Vou arrumar as malas. Devagar, pois tenho tempo. Quero aprender a sorrir e a chorar. O tempo desgasta e me fez esquecer tantas coisas. Acho que descobri meu maior inimigo. Ou melhor, eu já sabia, mas só agora consegui admitir.
E, parafraseando meu amigo Rubão, que por sua vez, parafraseou o Alceu, “a solidão é fera, solidão devora”.
Vida, me faça achar graça em você!
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Todo dia é dia de recomeçar e escrever mais um capítulo da nossa história (com H mesmo) e ratificar que não estamos aqui por acaso e tudo que nos acontece, embora algumas coisas tristes, são importantes no enredo e servem como aprendizado para nos tornarmos pessoas melhores do que fomos ontem. Gosto dessa frase: sou braileiro (a) e não desisto nunca!.Beijos
Olha Cassita, o seu texto é lindo apesar de ser triste. Mas senti cada palavra, cada frase. Há muito tempo que me sinto assim, pergunto a cada dia, onde está a minha alegria, onde ficou presa? Conquistei muita coisa que queria, o meu amor, o meu filho, a estabilidade financeira, mas a minha alegria ficou presa em algum lugar, em algum momento ela foi embora para bem longe de mim, por isso apesar do sol, apesar das cores, vejo tudo muito cinza, o que dava prazer ficou insípido. Não sinto vontade de ir para outros lugares, penso que tenho que descobrir aqui mesmo onde foi parar minha alegria. Mas cada um deve ir atrás de sua felicidade, de sua alegria, do seu prazer de viver, mesmo que seja a milhas e milhas daqui (parafraseando o cantor). Vou ficar feliz quando voce encontrar as cores e a alegria, só vai me dar certeza que cedo ou tarde encontrarei a minha. Beijos
Ás vezes precisamos compartilhar nossos sentimentos para que não sufoquemos,porém,é preciso buscar lá no fundo da alma pequenas coisas que nos fazem bem e,pelo fato de não darmos valor elas se tornam invisíveis.Como boa observadora que é,encontre essas pequenas coisas ao seu redor e com certeza irá te fazer um bem danado.Tenho aprendido que nem sempre sabemos o que é o melhor para nós mesmos,ás vezes,é preciso alguém chegar e dar uma chacoalhada e dizer: ei garota não é por aí…acorda!Só aí é que nos damos conta que realmente o caminho não era aquele que considerava o melhor.Gostaria muito de poder tirar a tristeza do coração de todas as pessoas que eu adoro(queria fazer isso por você!)Que Deus te ajude,peça forças a ele,poisé a única energia capaz de nos por em pé.
Um grande abraço,Jeanne.
Há fases na vida em que a gente se sente assim. As suas perdas começaram cedo, bem sei, mas acredite que ganhar e perder faz parte da vida. E vc ganhou muito dessas pessoas que passaram pela sua vida e se foram. A saudade dói, mas pense no que vc ganhou c/ elas e que hoje isso lhe enriquece tanto ao ponto de vc escrever tão lindamente sobre o assunto. Arrume as gavetas e veja o que elas contem de bom.
Reflexão
Aceitar a vida…(Mãe, Osho escreveu para você!)
Se você aceita a si mesmo, esse é o começo da aceitação de tudo. Se rejeita a si mesmo, você está basicamente rejeitando o universo; se rejeita a si mesmo, você está rejeitando a vida.
Se aceita a si mesmo, você aceitou a vida; então não há nada mais a fazer além de sentir prazer, celebrar. Não há do que se queixar, não há ressentimentos; você se sente grato.
Então a vida é boa e a morte é boa; então a alegria é boa e a tristeza é boa; então, estar com a pessoa amada é bom e estar sozinho é bom.
Então, tudo o que acontece é bom, porque acontece a partir do todo.
(Osho, em “Intimidade - Como Confiar Em Si Mesmo e Nos Outros”)
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Tenho lido todas as crônicas e achando ótimo. O controverso Osho tem várias colocações que certamente, se praticadas, tornam a vida muito mais fácil.
Mamãe é uma discípula destes ensinementos em particular e eu gostaria muito de também o ser…
Mil beijos e continue escrevendo para o nosso deleite.
Muito bom Tita! Veja o blog do meu afilhado Bernardinho que ele escreve muito bem. É estudante de jornalismo e letras. bernamutley.blogspot.com
Eu sempre digo a mim mesma: da vida eu só tenho a agradecer
Eu conheci um Rei
Eu conheci um Rei
Um dia eu vi um rei chegar…
Dono do castelo e cercado de muitas pessoas, o rei estava sempre só. Era ele, com ele, sozinho. O rei não conseguia amar e tinha todas as mulheres do reino, mas nenhuma era dele de verdade. O rei era triste.
Mas o rei também era lindo. Seus olhos tinham um brilho diferente, eram verdes, claros como a água do mar. E a sua tristeza, tão profunda quanto o oceano. Ele tinha um reino, mas era o mais solitário dos seres humanos.
E ninguém conseguia entender o que se passava dentro do seu coração. Por que a sua vida era tão vazia de emoções verdadeiras? Todos se perguntavam naquele reino.
Mas a vendedora de flores sabia. O rei queria tudo. E por querer tudo, não se emocionava com nada. Não conseguia enxergar a intensidade do sentimento das pessoas e desconfiava de todas elas. O rei não se emocionava com nada, nem com a poesia das flores, nem com o perfume dos poemas!
O rei era muito exigente. Sempre preocupado com a administração do seu reino, esquecia de amar. Pobre senhor do castelo! Sempre tão senhor da razão, era seu escravo. Não conhecia o gosto da lágrima e a importância dos sorrisos. Seu reino era sua prioridade.
E esquecia que por trás dos muros do castelo havia pessoas. Apenas pessoas. Que sentiam muitos outros sentimentos e não eram escravos da vida. Pessoas que se emocionavam com a beleza da lua, com o vento no rosto, com um beijo de amor.
O rei estava sempre muito ocupado com os afazeres do reino. Ele esquecia de sentir sua vida, de viver as emoções mais profundas. O rei vivia na superfície das coisas. Não conseguia mergulhar. Simplesmente, não conseguia. Mas achava que administrava tudo tão bem, que podia enganar as pessoas driblando seus sentimentos com palavras de ordem e trabalho. Com rápidas aparições e sorrisos ensaiados para uma corte cada vez mais cansada de tentar conquistar os olhares daquele rei tão severo com ele mesmo. Aos seus olhos todos seriam sempre seus súditos obedientes, infelizes.
O rei não entendia que quando não se tem nada, não se perde absolutamente nada. Mas quando se tem o mínimo de emoção, perder dói profundamente.
Um dia, o rei resolveu dar uma volta além dos muros do seu castelo. E ele conheceu a vendedora de flores. Ela lhe mostrou uma variedade imensa de flores e perfumes, mas ele não demonstrou sentimento algum. Foi apenas educado, como era de costume. Mas alguma coisa mudou dentro do rei depois daquele dia. Ficou dentro dele uma semente do amor que aquela moça passou pra ele pelo olhar.
O rei não conseguia esquecer a vendedora de flores. Mas ele não sentia amor. Era só curiosidade. Era uma moça alegre, divertida e exalava uma juventude feliz pelos poros. Que sensação estranha ele sentiu depois daquele encontro!
Então o rei passou a sair mais dos seus domínios e através da vendedora de flores, conheceu um outro universo. Um universo que tinha profundas tristezas, mas que também conhecia o amor, a poesia, a música e a alegria. A moça deixava as emoções fluírem naturalmente, sem se reprimir.
Era um mundo novo para o rei. E ele achou tudo muito interessante. A moça era muito sedutora e o rei também. Eles começaram a se encontrar e o rei começou a ficar mais bonito ainda! Ele começou a dar gargalhada, a se emocionar com a poesia e ter prazer nas coisas mais simples da vida. O rei aprendeu a ler poemas. Aprendeu a dividir as suas emoções.
Mas não se muda a essência das pessoas e, no fundo, o rei ainda era um homem racional, trabalhador, ávido por chegar a um objetivo que nem ele sabia qual era afinal. Ele precisava trabalhar e era só nisso que pensava dia e noite. Muitas vezes ele marcava de encontrar a vendedora de flores, mas o trabalho falava mais alto e ele não ia. Enquanto isso, a vendedora, em seu universo mortal, largava tudo, deixava as flores, a poesia, os sorrisos. Ela queria estar com o rei. E ela não conseguia entender tanta racionalidade depois de ter lhe mostrado o lado doce da vida. Porque o rei era assim tão frio? O que ela poderia fazer pra derreter aquele coração gelado? Não era possível que não houvesse sequer uma coisa na vida da florista que pudesse emocionar o rei!
Ele, no alto da sua inteligência e poder, não conhecia a felicidade. Ele procurava atingir metas, fechar negócios, ganhar muito dinheiro e administrar bem seu castelo. No mundo da florista não era assim! Felicidade não era uma meta, mas um estado de espírito. Não se podia amar como quem fecha um negócio ou ganha uma concorrência! Amar não era ter sucesso nos empreendimentos. Estava tudo errado no coração do rei! O rei era infeliz.
A moça das flores estava começando a conhecer uma tristeza diferente. Ela sentia um vazio. Um vazio que corroia seu coração. O céu acinzentou, o mar ficou revolto, as músicas não tinham sentido, a poesia perdia seu encanto, as flores murchavam e não havia mais sorrisos.
O rei sempre ocupado, não podia mais vê-la como antes. Havia uma distância entre eles e como todo amor distante, começava a perder a cor. A florista estava triste.
Ela sempre soube do abismo que existia entre seus mundos. Mesmo assim, sentia a falta daquele rei, que um dia teve mais tempo, olhou pra ela, conheceu o perfume das flores, aprendeu a ler poesias, gostou das músicas que ela ouvia. O que havia acontecido ao rei, se a graça desse amor era exatamente a antítese desses mundos? O quê se passava na cabeça daquele homem tão confuso, tão auto-suficiente? A florista não conseguia entender e sozinha, aguava as flores com suas lágrimas silenciosas. E cada uma das suas lágrimas era uma gota de amor.
E naquele dia nublado, após contemplar o entardecer, a florista recolheu as flores, os sorrisos, a poesia, as belas músicas e voltou pra sua casa. Mas ela não conseguia esquecer aquele rei que dominava tudo e trabalhava tanto. A moça das flores sentia-se solitária. O rei estava muito distante.
Muitos dias se passaram. O rei não saía dos seus domínios. Sempre preocupado com as estratégias de guerra para defender seu legado, ele começou a se distanciar da vida que havia fora do castelo. E, consequentemente, a se distanciar da moça das flores.
Ela por sua vez, tinha no coração, um deserto. Tudo de bom que ela havia vivido com aquele homem quase inatingível, estava se apagando, como uma foto antiga. As rosas vermelhas, os lírios, as margaridas, nada, nem o perfume de todos os jardins do mundo faziam-na feliz. Estava sempre com o olhar longe, um olhar que procurava um motivo para existir.
Ah, como ela tinha sido feliz com ele! O mar, a brisa, a chuva, tudo tinha cheiro de flor quando ela era feliz com o rei.
De repente ela não sorria, não se alegrava com as músicas nem com as poesias. A moça das flores trabalhava triste. E de tanto pensar no rei, acabou começando a não pensar em nada.
O fardo que a vida nos dá quase sempre é tão pesado que ela vai passando e só a vemos pela janela. Como uma paisagem bonita e inalcançável. E a florista entendeu isso depois de conhecer o rei. Para sua tristeza, ele estava se transformando numa fotografia linda, de um lugar maravilhoso, aonde ela jamais iria.
A verdade é que sua vida havia perdido o sentido, suas emoções limitavam-se à tristeza e a melancolia. Saudade de um tempo tão perto e tão longe, como se sua vida fosse uma sucessão de desencontros. Não era assim que havia imaginado que viveria. Ela tinha sonhos, muitos sonhos, desses que povoam a mente romântica de toda menina. Ela sempre quis um amor. O amor que aquele rei nunca lhe daria. O rei era egoísta.
No universo daquela moça, as pessoas queriam realização e amor. E não podia ser um amor automático, um amor robótico. Tinha que ser um sentimento avassalador. Uma sensação de gula, de pecado.
Mesmo sendo a florista muito independente e acostumada com a solidão, ela queria sentir a vida pulsar, o coração bater. Ela queria a febre de amar.
Na verdade, ela queria poder gritar pra todo mundo que conhecia o rei, que o havia beijado, que o havia amado, mesmo sem a certeza da reciprocidade, sem a certeza da intensidade do que ele sentia por ela. Talvez para ele fosse apenas mais um passa-tempo, mais uma forma de – uma vez ou outra – sair da sua vida estressante e tediosa. Talvez o senhor do castelo apenas gostasse da companhia dela, uma vez ou outra, para quebrar a rotina, mudar os dias tão iguais.
Pensava muito na sua vida, a florista. Nas coisas que fazia, no seu trabalho, nas flores. Pensava também no rei. E lembrava que ele não tinha motivo para se preocupar com ela. Ele já tinha tantas coisas para resolver e realizar! Não se pode esperar nada de ninguém. Principalmente se a pessoa não sabe dar o que nunca teve.
Mas como numa história de amor não existem culpados nem vítimas, ela começou a fazer planos para a sua vida, que mesmo tão diferente da dele, tinha perfume e alegria. Na vida da moça das flores havia sempre lugar para o rei. E ela, mais uma vez, tentava incluí-lo nos seus sonhos mais simples.
Ah, quanto desencontro! O tempo não ajudava a florista. Ela se culpava por não tê-lo encontrado bem antes, quando ele ainda tinha coragem para mudar! O rei estava muito acostumado com a vida no castelo, com a única referência de família que tinha. Ele estava acomodado e tinha medo de ousar. Diferente da florista, que entrava de corpo, alma e coração em todas as coisas que, para ela, eram boas. O mundo do rei era pequeno.
O dia amanheceu e com ele trouxe a vida com as coisas corriqueiras, os novos horizontes e a possibilidade de um novo caminho. A florista acordou e voltou seus olhos para o céu. Estava nublado. Que bom! Ela adorava a chuva e o clima trazido por ela. Eram lágrimas do céu, que lavavam as almas necessitadas de purificação.
Imediatamente a florista lembrou do seu rei, tão querido, tão distante. Existia uma diferença gritante entre os dois mundos. Era a racionalidade exacerbada do rei, sempre focado no trabalho e no sucesso do seu reino, tentando entender a emoção e a poesia que estava sempre presente na vida da moça que vendia flores, alegrava sua vida e lhe mostrava um mundo novo.
O rei abriu os olhos, dentro do seu enorme e luxuoso quarto cheio de ordem e poder. Seu primeiro pensamento foi seu reino. O que poderia fazer para melhorá-lo, para administrá-lo, para expandi-lo. Em seguida, lembrou com um carinho quase paternal, a moça das flores. Imaginou seu sorriso, sua maneira tão diferente de encarar a vida, sua forma contente de sentir o melhor perfume das pessoas, das coisas, de tudo. Mas ele não tinha tempo. Um dia, ele visitaria a florista e aproveitaria para aprender novos poemas, sentir novos perfumes e experimentar outras emoções. Ele gostava de estar com aquela moça. Mas ele definitivamente não tinha tempo!
O rei precisava trabalhar e trabalhar. Eram muitas coisas pra resolver, muitos negócios para fechar, um reino inteiro para gerir. Ele era responsável por muitas vidas. Muitas famílias dependiam do seu melhor desempenho, inclusive, a dele. Eram muitas articulações políticas que incluíam grandes e longas viagens. O rei não tinha tempo para pensar em amor. Sentimentos como esse estava sempre em segundo plano na sua planilha de vida. O rei era um homem racional.
Algumas coisas na vida são óbvias, outras previsíveis. O mesmo acontece com algumas pessoas. A moça das flores sentia-se assim, óbvia. Todas as suas atitudes eram coerentes com seus sentimentos e tudo era sempre muito intenso. Era muito difícil para ela disfarçar seus sentimentos. Seu olhar era óbvio, seus gestos também. Ela era transparente.
O senhor do castelo não era assim. Ele conseguia manter uma postura quase fria diante de qualquer situação, enquanto a florista beirava a infantilidade na demonstração do seu afeto. Mas ela apenas distribuía flores com amor. Que mundo diferente o mundo dos negócios! Torna todas as pessoas modelos tão iguais em suas posturas, parecem todos saídos de uma linha de produção de uma fábrica qualquer. Mesmo estilo, mesmas roupas, mesmo gestos, mesma artificialidade. O mundo dos negócios torna as pessoas superficiais.
A florista gostava de música, de sair pra dançar, gostava dos amigos e de se reunir com eles apenas para dar boas gargalhadas da vida! Quando juntos, seus amigos conseguiam esquecer um pouco o trabalho e pensavam nas pessoas apenas como pessoas. Diferente do rei, que enxergava através de cada pessoa, um novo negócio.
Os dias continuaram passando e, com eles, a tristeza da florista. Na mesma proporção que os dias passavam, o rei trabalhava, fechava novos negócios, administrava seu reino e esquecia que tinha um coração. Esquecia também que tinha o coração da moça das flores, mesmo sem saber. A moça melhorava enquanto o rei adoecia. O rei estava doente.
Às vezes o amor simplesmente morre. Mesmo assim, é um processo doloroso. Mas pelo qual todo mundo passa. Até os que se julgam imortais.
Um dia, a florista foi vender flores em um lugar bem longe dos domínios do rei. Lá ela conheceu muitas pessoas. Mas dentre elas, uma se destacou por se preocupar com sua tristeza e querer ser seu amigo. Era um homem diferente, um poeta. Amigo da natureza. Ele admirava as flores, o mar, as estrelas no céu, as gotas da chuva, as músicas, a vida e a moça das flores. O poeta era sensível.
A moça ficou feliz por conhecer alguém que gostava de muitas coisas como ela. Mas seus mundos também eram tão distantes! Mesmo assim, o poeta tinha tempo para visitá-la e preocupava-se com ela. O poeta queria vê-la feliz, queria vê-la sorrindo. Ele lhe escreveu lindas poesias que a moça guardou diretamente no coração. Ela não estava apaixonada pelo poeta. Mas o poeta estava apaixonado por ela.
A moça então começou a sentir-se melhor. Sua tristeza começou a se dissipar no meio de tantas nuvens, estrelas, ondas e sal. O amanhecer na praia era lindo. E o poeta começou a mostrar-lhe seu mundo, sem medo. A moça estava surpresa.
Entre as flores, no meio de tanto perfume, a moça se pegava pensando no poeta e nas coisas que ele fazia. Eles andavam sem medo pelas ruas, passeavam e conversavam muito sobre a vida. Ela podia sorrir pra ele sem se preocupar com ninguém ou nada que estivesse à sua volta. A moça das flores estava feliz. O poeta era um homem livre.
A vida é assim, uma colcha de retalhos. E os retalhos são os momentos felizes, tristes, os sorrisos, as lágrimas, os perfumes, as flores, a natureza, as estrelas do céu, as gotas da chuva, a oração dita baixinho, a saudade que não passa, enfim, fragmentos da nossa história.
O rei continua trabalhando muito. Sempre ocupado, às vezes pensa na florista e em como ela estará. Mas ele não tem tempo e suas prioridades são tantas, que ela fica sempre pra depois. Mas o rei gosta dela. E ela, não gosta do rei. E o poeta a ama. A moça das flores ama o poeta. A moça das flores é livre. E está feliz. (Cassia Miranda)

Faço minhas ALGUMAS de suas palavras. Só digo que, baseada em experiência própria, A SOLIDÃO SÓ EXISTE PARA QUEM NÃO SE SENTE BEM EM SUA PRÓPRIA COMPANHIA. Creio que este não é o seu caso. Pelo visto o seu caso é SAUDADE de pessoas que não voltam mais. Deixe-as livres para que vc possa sentir leveza. Isto não é fácil, mas parece ser o caminho!